Chavões na redação: por que são tão ruins?

Os dicionários apontam o chavão como sinônimo de lugar-comum. São aquelas palavras, expressões ou mesmo construções frasais que, de tanto serem usadas, acabaram se tornando óbvias e, por esse motivo, dispensáveis na escrita de um texto. 

Trata-se do famoso clichê. 

Por serem citados frequentemente, os chavões acabam empobrecendo uma redação. Tornam a escrita vazia, comprometem a criatividade e, muitas vezes, a leitura, que se torna cansativa e impede uma interpretação textual adequada.  

Uma redação deve ser original, mostrar capacidade de organização das ideias, criatividade por parte do autor. 

Corretores das principais bancas do país concordam que não é agradável quando se deparam com registros que fazem uso desnecessário da língua apenas para demonstrar conhecimento sobre alguma coisa. 

O propósito de uma redação é desenvolver conhecimento e capacidade suficientes para interpretar o mundo em que se vive e atuar na sociedade enquanto cidadão.

Qual seria, então, a solução para evitar os chavões? 

O candidato que se rende a esta armadilha é aquele que não possui repertório, ou seja, aquele que não tem o hábito de leitura, que não treina a escrita, que não faz anotações.  

O processo de preparação para escrever bem é trabalhoso e constante. 

Faz parte disso estar bem informado e a par de diferentes pontos de vista sobre um ou vários assuntos.

Para entendermos como os chavões funcionam, vamos observar as informações a seguir. 

Eles podem ser formados por estereótipos, produzidos pelo senso comum, que são aquelas ideias prontas que temos sobre lugares, coisas e pessoas. 

Um exemplo: 

  • Todo brasileiro sabe jogar futebol, todo político é corrupto, todo americano é consumista, o Brasil é o país da impunidade e assim por diante.

Quando criamos convicções acerca de ideias como essas, acabamos construindo uma visão de mundo preconceituosa. 

Dessa forma, é fundamental evitar afirmações generalistas durante a produção de um texto. 

Outro tipo de chavão são as frases prontas: 

  • “nos dias de hoje”;
  • “precisamos nos conscientizar”;
  • “vamos salvar o meio ambiente”;
  • “não podemos perder a esperança”;
  • etc. 

Por melhor que seja a intenção ligada a tais ideias, elas demonstram falta de criatividade e repertório por parte de quem escreve.  

Vejamos mais alguns exemplos de chavões abaixo

  • Frases: abrir/fechar com chave de ouro; perder/não perder as esperanças; cair como uma bomba; cair com uma luva; divisor de águas; pôr as cartas na mesa; perdidamente apaixonado; tecer comentários/considerações; voltar à estaca zero e outros.
  • Substantivos e adjetivos: profundo silêncio; laço indissolúvel; agradável surpresa; sonho dourado, tumulto generalizado; ilustre visitante e outros.

Os chavões também estão nas imagens que criamos, como astro-rei (fazendo referência ao Sol) ou mesmo nas ideias que construímos, como a palavra mestre seguida do título para fazer referência a dicionários ou enciclopédias (mestre Aurélio).

O próximo parágrafo é um exemplo claro de como os chavões podem tornar o texto repetitivo, cansativo, o famoso “mais do mesmo”. Faça a leitura com atenção!  

Nos dias de hoje, ninguém se importa com a Amazônia. Em pleno século XXI, ainda existem pessoas que acham normal que o progresso gere sacrifícios, como a poluição do ar, as queimadas, etc. A população precisa se conscientizar para garantir um futuro melhor para as próximas gerações. Precisamos pensar positivo, mas também agir na busca por um mundo mais humano”.

Nenhuma informação nova, não é mesmo? 

Não há nenhum tipo de contribuição em termos de informações ou argumentos. O texto pode ser coeso e coerente, mas as ideias são prontas, repetidas, sem informações relevantes para resolver a questão colocada. 

Vejamos, agora, como fugir dos chavões e criar uma boa redação com o exemplo a seguir.

Maior bioma do Brasil, estendendo-se por oito países da América do Sul, a Amazônia agoniza diante das queimadas e do desmatamento. Dona de um território de 7,9 milhões de Km², o que representa 5% da superfície terrestre e mais de 60% do restante das florestas tropicais do planeta, ela já não consegue garantir, em sua totalidade, a regulação do clima. Muitos são os problemas que acabam contribuindo para agravar tal situação: corrupção, desorganização, interesses egoístas por parte dos grandes pecuaristas. É necessária a dura fiscalização dos governos e da comunidade para fazer cumprir medidas de preservação de tamanha biodiversidade”.

Há uma diferença considerável entre os dois exemplos. 

O texto acima traz informações que mostram repertório, ou seja, conhecimento acerca do assunto. Ele está contextualizado e cria propostas reais de intervenção, além de apresentar uma adequada organização das ideias. É exatamente isso que as bancas avaliativas buscam.

O que você acrescenta no texto é realmente importante?

Ao produzir um texto, é sempre importante verificar, antecipadamente, se aquilo que se pretende explicitar acrescenta algo importante. 

Indicar que a população precisa se conscientizar e buscar soluções econômicas que não incluam o desmatamento, por exemplo, é óbvio e irrelevante, visto que isso já foi afirmado muitas vezes, sem, de fato, mostrar o que precisa ser feito.

As universidades querem indivíduos que contribuam para a Ciência, para o crescimento do outro, para o desenvolvimento econômico e social da sua comunidade, para a promoção da Arte, da Filosofia, do pensamento crítico, podendo, assim, pensar de maneira crítica e colaborar de forma concreta na vida prática de uma sociedade. 

É a redação que mostra às principais instituições de ensino esse perfil de aluno.

Como vimos, não há fórmula para aprimorar a escrita, mas uma coisa é certa: sem leitura, o caminho do conhecimento torna-se muito mais tortuoso. Leia, informe-se, debata, crie repertório para produzir redações criativas e cheias de originalidade.

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