Resumão de Literatura Enem 2021: escolas literárias do Brasil

Estudar Literatura é uma tarefa que, normalmente, exige muito esforço, leitura e atenção. Além de toda a parte teórica, são inúmeros os autores e livros que devemos conhecer. 

No caso do Enem, então, a situação se complica. 

Como não há cobrança da leitura de obras específicas, é comum os participantes ficarem perdidos, não é mesmo?

Pensando nisso, resolvemos criar o Resumão de Literatura Enem 2021. Nele, você terá um apanhado geral sobre todas as escolas literárias do Brasil e, assim, poderá conhecer as características, observar o contexto histórico e relembrar os principais autores e obras de cada movimento. Confira!

Quinhentismo (1500-1601)

Primeiro período literário brasileiro. Seu nome é uma referência a 1500, ano em que os portugueses chegaram ao Brasil. 

Nessa época, a literatura não tinha uma preocupação estética e artística, mas, sim, histórica, e se dividiu em duas vertentes. 

  1. Literatura de informação: cartas e crônicas de caráter descritivo, produzidas pelos colonizadores e enviadas a Portugal com o objetivo de informar sobre o nativo e a terra recém-descoberta. Principais nomes: Pero Vaz de Caminha (Carta do Descobrimento, primeiro registro escrito da literatura brasileira) e Pero de Magalhães Gândavo (História da Província de Santa Cruz).
  2. Literatura dos jesuítas: literatura de formação, cuja preocupação era catequizar os indígenas dentro dos valores católicos. Por isso, aproximou-se dos textos de caráter pedagógico. Principais nomes: Padre José de Anchieta (autos, poemas e Gramática Tupi) e Padre Manuel da Nóbrega.

Barroco (1601-1768)

Surgiu no período da Contrarreforma, movimento de reação da Igreja Católica aos valores modernos renascentistas e de retomada dos valores cristãos. 

Devido a isso, o ser humano barroco viu-se dividido entre o Antropocentrismo e o Teocentrismo. 

Como consequência, a arte barroca (literatura, música e artes visuais) foi marcada pelas seguintes características:

  • Dualismo – jogo de contrastes (uso de antítese e paradoxo). 
  • Exagero – expressão de crises, dores e sofrimentos de maneira explosiva e intensa.
  • Rebuscamento – complexidade, falta de simplicidade e de clareza (uso de hipérbato).

Quanto às produções literárias, dois estilos devem ser lembrados: 

  • Cultismo – jogo de palavras, a forma em detrimento do conteúdo.
  • Conceptismo – o jogo de ideias, o conteúdo em detrimento da forma.

Os principais nomes do Barroco foram: Gregório de Matos, o “Boca do Inferno” (poesias satíricas, sacras, líricas filosóficas e líricas amorosas) e Padre Antônio Vieira (sermões). 

Arcadismo (1768-1836)

Surgiu no contexto do Iluminismo e foi um período mais racional e antropocêntrico, rejeitando os exageros barrocos. Diante disso, valorizava a vida com equilíbrio, simplicidade e tranquilidade. Entre as principais características, destacam-se: 

  • Bucolismo – celebração da vida no campo. 
  • Mimetismo – imitação dos clássicos e da natureza.
  • Fingimento poético – poetas fingindo ser o homem do campo. 
  • Uso de pseudônimos – adoção de nomes falsos. 

Além disso, vale lembrar os Cinco Lemas Árcades: 

  1. Aurea mediocritas –celebrar a mediocridade de ouro.
  2. Carpe diem – aproveitar o dia de hoje.
  3. Inutilia truncat – cortar o inútil.
  4. Fugere urbem – fugir do ambiente urbano.
  5. Locus amoenus – buscar por um lugar ameno. 

Principais nomes: Cláudio Manuel da Costa, com o pseudônimo Glauceste (Obras Poéticas) e Tomás Antônio Gonzaga, com o pseudônimo Dirceu (Marília de Dirceu e Cartas Chilenas).

Romantismo (1836-1881)

Desenvolveu-se, na Europa, no período de ascensão burguesa, o que promoveu grandes transformações sociais e culturais. Por essa razão, o Romantismo ficou conhecido como a arte da burguesia, rejeitando os valores da nobreza, os princípios clássicos e opondo-se ao Arcadismo. 

Entre as características gerais, temos: 

  • Inovação, originalidade, novidade;
  • Expressão da emotividade;
  • Impulsividade na expressão sentimental;
  • Subjetividade e idealização de um mundo perfeito. 

Na mesma época, o Brasil vivia o momento pós-independência (1822), e a literatura romântica contemplou a produção de dois gêneros: 

a) Poesia brasileira 

  • 1ª geração – Nacionalista e Indianista: construção de uma identidade nacional; exaltação e idealização da natureza e do território brasileiros. Principal nome: Gonçalves Dias (Canção do Exílio).
  • 2ª geração – Ultrarromântica e Mal do Século: desilusão, melancolia, morbidez. Principal nome: Álvares de Azevedo.
  • 3ª geração – Condoreira e Abolicionista: poesia social; idealismo, engajamento e perfil ativista. Principal nome: Castro Alves (Navio Negreiro)

b) Prosa brasileira (romance romântico)

  • Indianista: momento inicial da colonização do Brasil e formação da raça brasileira (contato entre o colonizador português e os indígenas, vistos como heróis nacionais). Principal nome: José de Alencar (O Guarani e Iracema).
  • Histórico: mistura entre ficção e realidade; narração da história do Brasil de forma idealizada, promovendo a exaltação do passado histórico. Principal nome: José de Alencar.
  • Regionalista: histórias voltadas para o interior do Brasil, onde ainda se encontrava a preservação dos legítimos valores brasileiros. Principais nomes: José de Alencar e Visconde de Taunay (Inocência).
  • Urbano: histórias sobre a corte, formando uma espécie de painel social sobre a vida urbana do Rio de Janeiro. Principais nomes: Joaquim Manuel de Macedo (A moreninha), Manuel Antônio de Almeida (Memórias de um Sargento de Milícias) e José de Alencar (Diva, Lucíola e Senhora).

Realismo (1881-1893)

Surgiu numa época de decepção com as ilusões românticas; então, a humanidade passou a buscar amparo na ciência e na observação dos fatos para encarar a realidade. 

Em razão disso, o Realismo foi um movimento fundamentalmente antirromântico, em que prevaleceram os seguintes aspectos: 

  • Crítica à sociedade burguesa; 
  • Racionalismo e objetividade; 
  • Observação da realidade e fruição do momento presente; 
  • Cientificismo (Darwinismo, Positivismo, Determinismo). 

Principal nome: Machado de Assis (Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba), que se destacou pelas seguintes peculiaridades: 

  • Construção de histórias fragmentadas em capítulos curtos;
  • Presença de sequência narrativa não linear;
  • Metalinguagem, digressões e conversas com o leitor;
  • Ironia, ceticismo e pessimismo;
  • Sondagem psicológica.

Naturalismo (1881-1893)

O Naturalismo é uma escola irmã do Realismo, visto que ambas se desenvolveram na mesma época e tinham a base antirromântica em comum. 

Porém, o Naturalismo foi uma prosa mais intensa e exagerada. Considerando o ser humano a partir do ponto de vista de um cientista, os naturalistas preocupavam-se somente em observar a humanidade de longe, de acordo com os seguintes aspectos:

  • Ser humano instintivo – homem visto como bicho, pois sempre age por instinto.
  • Zoomorfização – descrição do ser humano com características de animais.
  • Determinismo – teoria sociológica segundo a qual o ser humano é determinado pela natureza.
  • Patologismo – apresentação de cenas nojentas e desagradáveis de forma explícita.

Principais nomes: Aluísio de Azevedo (O Cortiço) e Raul Pompeia (O Ateneu).

Parnasianismo (1882-1893)

No Brasil, diferentemente de Portugal, foi uma estética importante, influente e bem aceita pelo público leitor da elite carioca. 

É importante lembrar que, por se tratar de uma escola poética que fez parte do período realista, o Parnasianismo também foi um movimento antirromântico. 

Desse modo, em suas obras, predominaram as características a seguir: 

  • Racionalidade, objetividade e impessoalidade;
  • Observação e descrição de coisas e objetos, como muros, vasos, etc.;
  • Busca pela perfeição estética e formal;
  • Influência das referências clássicas;
  • Arte voltada para si mesma (arte pela arte) e distanciada das questões sociais, políticas, etc. 

Principais nomes: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia, conhecidos como a “tríade parnasiana”.

Simbolismo (1893-1902)

Apesar de ter convivido com o Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo no final do século XIX, o Simbolismo diferenciou-se dessas três escolas por apresentar uma percepção de mundo mais mística e abstrata. 

Sua temática, portanto, era ligada às sensações, visto que o mais relevante era que o mundo fosse sentido, e não explicado de maneira exata. 

São características simbolistas:

  • Jogos de sensação por meio dos cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato);
  • Emoção;
  • Subjetividade;
  • Gosto pelo mistério, pelo indefinível.

A poesia simbolista destacou-se mais na periferia brasileira do que na metrópole carioca, onde, naquela época, o Parnasianismo fazia sucesso. 

Principais nomes: Cruz e Sousa (Broquéis e Missal) e Alphonsus de Guimaraens (Ismália).

Pré-modernismo (1902-1922)

O principal ponto que devemos compreender é que não houve uma escola literária pré-modernista. O Pré-Modernismo foi um momento de transição. 

Consequentemente, configurou-se em uma fase bastante eclética, na qual conviveram os estilos tradicional e moderno. Por isso, quanto à estética e ao estilo de escrita, não houve um consenso entre os autores que produziram nessa época. 

Já em relação ao tema, o ponto em comum foi a apresentação de uma visão crítica da realidade brasileira. 

Produziu-se, portanto, uma literatura de denúncia social, dando visibilidade para as diferentes regiões do país e apontando problemas da periferia. 

Principais nomes: Graça Aranha (Canaã), Euclides da Cunha (Os sertões), Monteiro Lobato (tanto na literatura infantojuvenil quanto na adulta, com Jeca Tatu) e Lima Barreto (Clara dos Anjos, O homem que sabia javanês, A nova Califórnia e Triste fim de Policarpo Quaresma).

Vanguardas Europeias (INÍCIO DO SÉC. XX)

São tendências que nos ajudam a compreender o Modernismo, porque consistem em uma postura radical de ruptura contra os princípios clássicos tradicionais, negando o passado. 

Tal rompimento se deu por meio da busca de novas e radicais formas de expressão. 

  • Futurismo: destruição do presente e do passado e valorização da velocidade e tecnologia.
  • Expressionismo: adoção de uma postura mais distorcida, expressiva, exagerada e expansiva para retratar angústias, crises, desabafos interiores. 
  • Cubismo: fragmentação da realidade em pedaços, para que fosse possível enxergar, simultaneamente, todas as suas faces.
  • Dadaísmo: deboche do tradicional; defesa da arte como resultado do espontâneo, da falta de planejamento e da ausência de princípios, regras e correções. 
  • Surrealismo: expressão psicológica de aspectos do inconsciente reprimido do ser humano, explorando, para isso, o mundo dos sonhos.

1ª Geração Modernista (1922-1930)

A Semana de Arte Moderna de 1922 foi o marco inicial dessa geração, que ficou conhecida como a “fase heroica”, pois teve a coragem de se voltar contra a poesia parnasiana, que até então era valorizada. 

Os autores, portanto, visavam à produção de uma arte verdadeiramente brasileira e caracterizada por:

  • Iconoclastia – quebrar imagens do passado (em especial, a figura do poeta parnasiano);
  • Irreverência – deboche, humor, piada, provocação, rebeldia;
  • Liberdade formal – versos livres e brancos;
  • Liberdade temática – temas do cotidiano;
  • Instauração de uma língua brasileira na poesia. 

Principais nomes: Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira.

2ª Geração Modernista (1930-1945)

Nos anos 30, o Brasil vivia a Crise do Café e a Era Vargas. Assim, os autores dessa geração, apesar de continuarem prezando pela liberdade formal, caracterizaram-se por apresentar um tom mais equilibrado e sério, diferente dos exageros e provocações da fase anterior. 

Além disso, adquiriram um comportamento crítico perante a realidade, sendo mais reflexivos quanto aos problemas daquela época e produzindo uma literatura de denúncia social, tanto na poesia quanto na prosa. 

a) Poesia de 30 

  • Poesia social: mais materialista, racionalizada e voltada às questões sociopolíticas e à realidade social. Principal nome: Carlos Drummond de Andrade.
  • Corrente espiritualista: produção de uma poesia metafísica, mística e de reflexão mais abstrata e sentimental. Principal nome: Cecília Meireles.

b) Romance de 30

  • Ciclo da seca do Nordeste: Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz. 
  • Ciclo da cana-de-açúcar: José Lins do Rego 
  • Ciclo do cacau: Jorge Amado.
  • Ciclo do Sul do país: Érico Veríssimo.

3ª Geração Modernista (1945)

Antes de tudo, vale ressaltar que não há um consenso quanto ao fim do Modernismo. Para alguns estudiosos, foi o ano de 1960; para outros, 1980, mas há, também, aqueles que afirmam que ainda vivenciamos essa estética nos dias atuais. 

Por fazer parte de um contexto mais tranquilo, a 3ª Geração caracterizou-se pela busca de novos temas e de novas formas de construir poesia e narrativa. 

Assim sendo, pode ser considerada como a “fase do esteticismo”, em que predominou a preocupação com a literatura enquanto estética.

a) Poesia Geração de 45

Postura antimoderna, retomada do equilíbrio, da seriedade, da regularidade formal e da linguagem refinada. 

Principal nome: João Cabral de Melo Neto (união entre esteticismo e questões filosóficas e sociais).

b) Prosa

  • Clarice Lispector: narrativa intimista, fluxo de consciência, reflexões existenciais.
  • João Guimarães Rosa: linguagem inventiva, regionalismo-universal.

Literatura contemporânea

Aqui, também não existe uma convenção quanto às datas, pois existem referências desde aos anos de 1945 até a atualidade. Além disso, não há um estilo predominante. Existe a convivência simultânea entre variados estilos, autores e temáticas.

  • Concretismo: inovação estética, preocupação com a forma em detrimento do conteúdo; exploração do significado e dos aspectos sonoro e visual das palavras.
  • Poesia Práxis: o conteúdo prevalece sobre a forma; abordagem de questões sociais e reflexões político-econômicas.
  • Poema-Processo: radicalização estética do Concretismo; a palavra foi praticamente abolida, pois o aspecto visual era o mais importante.
  • Poesia social: reflexões de cunho mais ideológico e político, para contestar o regime militar. 
  • Poesia marginal: colocou-se à margem do mercado literário comum; as produções eram artesanais e independentes, impressas em mimeógrafos. 
  • Paulo Leminski: poeta de múltiplas linguagens, é uma espécie de síntese de todas as linguagens da contemporaneidade.
  • Narrativas contemporâneas: voltadas às questões urbanas e sociais, como violência, saúde mental, realismo mágico, romance-reportagem, etc. Destaque para Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Lygia Fagundes Telles, Cristovão Tezza, Murilo Rubião, entre outros.

E aí, bora botar isso no caderno?

Depois de toda essa leitura é importante fazer anotações no seu caderno e produzir o seu próprio resumo. Dessa forma, você vai conseguir fixar muito mais o conteúdo sobre Literatura para o Enem 2021.

Continue acompanhando o nosso blog para mais conteúdos como esse e outros textos com dicas e informações importantes sobre o Enem e as provas de vestibulares.

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Ole Educação

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