Filosofia: Entenda tudo sobre o Mito da Caverna de Platão

A Filosofia é uma forma de interpretar a realidade e interações sociais, considerando temas políticos, culturais e sociais. Para os estudiosos da filosofia, ela não serve apenas para dar ideias abstratas, mas para ensinar lições, desenvolver senso crítico e afastar as mentes da mediocridade.

Basicamente, a filosofia é considerada o caminho para refletir sobre temas e conduzir a uma sabedoria maior sobre variados temas.

É por isso que a prova do Enem de Filosofia, muitas vezes, pode parecer subjetiva e confusa. Ao abordar os temas e pensamentos dos principais filósofos, ela sempre vai buscar criar relações com a situação atual e despertar uma análise crítica contextualizada.

Claro, para poder responder as perguntas da prova do Enem, é preciso, antes de pensar no contexto, saber o que o pensamento filosófico que está na questão significa e o que ele discute.

Hoje, vamos passar por esse processo conhecendo um pouco melhor o Mito da Caverna, escrito por Platão.

O que diz o Mito da Caverna?

Também chamada de alegoria da caverna, é uma das histórias mais conhecidas da filosofia. É o capítulo chamado de Livro 7 na obra A República, uma coletânea de diálogos de Platão. No Mito da Caverna, Platão descreve a seguinte situação.

Existe um grupo de prisioneiros que, desde a infância, viviam com as mãos amarradas a uma parede no fundo de uma caverna escura. Obrigados a ficar sempre sentados de costas para a luz, vinda de uma fogueira que se encontrava na entrada, tudo o que viam eram as sombras projetadas na parede da caverna pela luz. Essa era a única imagem que possuíam para saber o que acontecia do lado de fora.

Todos os dias passavam pela fogueira em frente a caverna homem transportando coisas, mas as paredes da caverna ocultavam seus corpos, permitindo ver apenas suas sombras nas paredes. Assim, tudo o que os prisioneiros viam eram sombras e, a partir delas, definiram como eram esses homens e os objetos que eles transportavam.

Platão, no Mito da Caverna, afirma que é provável que, caso saíssem da caverna, esses prisioneiros não conseguiriam identificar como reais os objetos e pessoas, uma vez que a única realidade que conheciam eram as sombras projetadas.

O diálogo segue contando que certo dia um dos prisioneiros se desamarra e consegue escapar. Ele fica surpreso com a nova realidade ao sair da caverna e ver, sob a luz forte que agredia seus olhos, as novas formas e interpretações de como eram os homens e objetos que, até então, só conhecia pelas projeções na parede da caverna.

Ao ter que decidir entre continuar do lado de fora ou voltar para dentro da caverna, o prisioneiro que se libertou resolve ficar fora e começa a se acostumar com a nova realidade, ficando encantado e já não desejando mais voltar para a prisão da caverna.

Platão então faz uma suposição do que aconteceria se  ao pensar nos antigos companheiros de prisão, ainda vivendo apenas da projeção das sombras, o prisioneiro liberto decidisse voltar e compartilhar com eles a realidade que descobriu do lado de fora. Ao contar tudo o que havia vivido e visto do lado de fora.

Para Platão, a reação dos demais prisioneiros seria a de não acreditar no que o outro contava, ridicularizando-o, sendo taxado de louco e chegando a matar o antigo companheiro.

Qual o debate que o Mito da Caverna traz?

No Mito da Caverna, o ponto central é pensar na ideia da luz ser o bem, a realidade, enquanto a sombra representa o mal e a ignorância. Sair da caverna, então, é sair de um estado de ilusão para conhecer a realidade das coisas.

Sabe onde mais essa ideia aparece, na entrada no período do Iluminismo, em História: a ideia de que pessoas esclarecidas e que buscam aprender mais sobre a verdade são iluminadas, enquanto os demais ainda vivem na idade das trevas. Esse é um bom tema para dar uma estudada depois do Mito da Caverna.

Existem 5 lições dadas por Platão nesse conto:

Primeira lição: coisas materiais são sombras

Coisas materiais são representações do que entendemos como mundo que nos iludem e confortam, mas que não representam a verdade. São instáveis e passageiras, que deveriam ter uma importância secundária e nunca serem mais valorizados do que coisas imateriais e psicológicas.

Segunda lição: ficar na caverna é mais fácil.

Se prender a uma realidade que já entendemos exige menos esforço do que sair da zona de conforto e ter que enfrentar a realidade das coisas e lidar com suas consequências.

Terceira lição: a luz cria incômodo

Estar muito tempo no escuro faz os olhos doerem em contato com a luz. Com isso, quer dizer que aceitar a própria ignorância, erros e ilusões criadas é um passo doloroso, mas essencial para quem deseja encontrar a sabedoria e conhecimento representados pela luz.

Quarta lição: poder contemplar exige habituar-se com a luz

Não basta sair do escuro da caverna ou sair do mundo de ilusões e do material para viver na luz. É necessário contemplar a nova realidade e a verdade e habituar-se com as novas ideias, internalizá-las e vivê-las.

Quinta lição: devolver o bem recebido

Após ter sido iluminado, o prisioneiro liberto decide voltar para compartilhar suas descobertas com seus antigos companheiros. É o ato de repassar o bem, ajudar o próximo e ensinar para que outras pessoas também possam evoluir.

No entanto, essa lição não vem sem um alerta de cuidado, afinal, o prisioneiro que voltou foi morto. É importante destacar aqui que o desfecho que Platão dá ao Mito da Caverna é uma alusão à execução de Sócrates, condenado por expressar suas ideias e tentar abrir os olhos daqueles que ainda não enxergavam a realidade.

Nem sempre as novas ideias serão bem aceitas e respeitadas, já que muitas pessoas estão tão acostumadas a viver em um mundo de ilusões e fachada que tem medo de enfrentar a realidade e não aceitam que ela seja espalhada.

Um bom exemplo e muito atual que é bem provável que apareça na prova do Enem 2021 são as Fake News. Pessoas compartilham muitas informações sem fonte ou base na ciência por serem ideias próximas do que elas acreditam ou se sentem confortáveis pensando.

É mais fácil compartilhar uma Fake News do que pesquisar e ter que enfrentar a realidade de que tudo aquilo que você pensava estava errado, era perigoso e que, por pensar, você cometeu muitos erros.

E aí, o que achou do conteúdo?

Já conhecia as lições do Mito da Caverna de Platão? Compartilhe com os amigos e conta para a gente nos comentários quais outros exemplos atuais vocês conseguem pensar e que podem ser interpretadas com esse pensamento filosófico.

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Ole Educação

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