O que é variação linguística?

Você já deve ter ouvido alguém dizer que “fulano fala português errado” ou que o sotaque de determinada região do Brasil é “o mais bonito e correto”. 

Esse tipo de afirmação, no entanto, apesar de comum, é bastante inadequado. Do ponto de vista da Linguística, não se pode julgar uma variedade como melhor ou mais correta do que a outra. 

A justificativa é bem simples: a língua é um organismo vivo, dinâmico e passível de transformação. Por conseguinte, ao funcionar como nosso instrumento de comunicação, ela é capaz de se modificar, adaptando-se aos contextos de uso e às necessidades dos falantes ao longo dos anos. 

Sendo assim, é perfeitamente compreensível que a língua sofra alterações no léxico, na pronúncia, na sintaxe, na morfologia, etc. Enquanto alguns termos caem em desuso, por exemplo, outros novos surgem a todo momento. Além disso, com a internet e as novas tecnologias da comunicação, até mesmo a forma de escrever as palavras tem se modificado constantemente. 

É a esse movimento natural da língua que a variação linguística se refere. Desse modo, mesmo que uma variedade se diferencie da norma-padrão – vista como a mais prestigiada e culta por sua proximidade com as regras gramaticais –, ela não pode ser tachada como erro.

Para a Sociolinguística, área do conhecimento que estuda a relação língua-sociedade, independente de certo e errado, cada variedade tem um propósito: atender às necessidades dos falantes e permitir que eles se comuniquem e interajam de modo eficiente. 

Aliás, é isto que a prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias do Enem espera dos participantes: que sejam capazes de valorizar e reconhecer as singularidades de cada variação linguística, tendo sempre como parâmetro a adequação ou a inadequação aos contextos de uso.  

Ademais, para o Enem, também é importante que os candidatos reconheçam os usos da norma-padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação, a fim de que possam transitar nas mais diversas esferas sociais. 

 Agora, vamos conhecer os quatro tipos de variação linguística…

Variação histórica (temporal ou diacrônica) 

Corresponde às mudanças graduais que acontecem na língua com o passar do tempo, ao longo das diferentes épocas vividas pela sociedade. Geralmente, podemos percebê-las quando palavras e expressões deixam de ser utilizadas, mudam de sentido, ou quando acentos e grafias já não são mais empregados. Exemplos:

  • Vossa Mercê – Vosmecê – Você
  • Pharmacia – Farmácia
  • Fotografia – Foto
  • Vou ao cinema – Vou no cinema

Textos mais antigos também são exemplos de como a língua pode se modificar ao longo da história, trazendo alterações na maneira de escrever, no emprego ou até mesmo no significado de determinadas palavras e expressões. 

Observe, por exemplo, o seguinte fragmento do texto Antigamente, de Carlos Drummond de Andrade: 

“Antigamente as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia […]”.

Variação regional (geográfica ou diatópica) 

Refere-se às variedades que existem de acordo com o local em que vivem os falantes de uma mesma língua. Isso acontece porque diferentes regiões têm diferentes histórias, culturas, tradições e, consequentemente, possuem variadas estruturas linguísticas. 

Os diversos sotaques que existem no Brasil são bons exemplos de variação regional; há, também, a dificuldade de comunicação que pode haver devido à existência de diferentes palavras para denominar a mesma coisa: 

  • Aipim = Mandioca = Macaxeira
  • Estojo = Penal
  • Biscoito = Bolacha
  • Menino = Guri = Piá = Mano = Moleque 

Variação social (ou diastrática) 

Resulta da convivência dos diversos grupos sociais, que se diferenciam por fatores como idade, escolaridade, gênero, classe, profissão e tantos outros aspectos que unem pessoas e as diferenciam de outros grupos. As escolhas linguísticas, as gírias e os jargões são bons exemplos desse tipo de variação. Observe:

  • Boa pinta – pessoa com boa aparência, bonita.
  • Cancelar – boicotar, deixar de seguir uma personalidade nas redes sociais após comportamento inadequado.
  • Photoshopar – tratar fotos e imagens diversas com o auxílio do Photoshop, programa de edição da Adobe. 
  • Dar spoiler – revelar alguma informação sobre determinado filme ou série, “estragando o prazer” de quem ainda não assistiu.

Variação de estilo (situacional ou diafásica)

Leva em consideração o contexto comunicativo em que o falante se encontra e está ligada ao grau de intimidade entre os interlocutores e à formalidade que cada situação exige. 

Dependendo da ocasião, por exemplo, mesmo que sem perceber, falamos de modo diferente do habitual, buscando uma linguagem que seja mais adequada. Nesse sentido, podemos classificar as variações de estilo em dois tipos: informal e formal:

  • Linguagem informal – linguagem coloquial, típica de situações mais descontraídas, em que há certa relação de intimidade entre os interlocutores. Conversas entre amigos e familiares, tanto em casa quanto em momentos de lazer (festas, bares, etc.), são bons exemplos do registro informal. 
  • Linguagem formal – uso de variedades que mais se aproximam da norma-padrão. Na oralidade, é adotada quando não há relação de intimidade entre os falantes, ou quando é necessário agir com certa formalidade: entrevistas de emprego, apresentação de trabalho escolar, redação do Enem, etc.

Hora de estudar!

Agora é hora de estudar! Anote os principais pontos referentes à variação linguística para não esquecer. E não esqueça de anotar as suas dúvidas para pesquisar com mais profundidade sobre o tema.

Continue acompanhando o nosso blog para garantir que você tirar uma nota excelente no Enem! Estamos aqui para te ajudar a dar o seu melhor.

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Ole Educação

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